⛪ Os 21 Concílios Ecumênicos

De Niceia I (325) ao Vaticano II (1962-1965)

Os concílios ecumênicos são assembleias de bispos de toda a Igreja, convocados pelo Papa, para definir questões de fé, moral e disciplina. Seus decretos são infalíveis quando definem doutrinas de fé e moral. A Igreja reconhece 21 concílios ecumênicos ao longo de quase dois mil anos.

🏛️ Antiguidade (séc. IV–V)
1

Niceia I

325 d.C. — Niceia (atual Turquia)
Condenou o arianismo (que negava a divindade de Cristo). Definiu que o Filho é «consubstancial ao Pai» (homoousios). Redigiu a primeira versão do Credo Niceno.
Convocado pelo imperador Constantino; presidido por legados do Papa São Silvestre I. ~318 bispos.
2

Constantinopla I

381 d.C. — Constantinopla
Confirmou e completou o Credo Niceno (Credo Niceno-Constantinopolitano que rezamos hoje). Definiu a divindade do Espírito Santo contra os macedonianos (pneumatômacos).
Convocado pelo imperador Teodósio I; Papa São Dâmaso I. ~150 bispos.
3

Éfeso

431 d.C. — Éfeso (atual Turquia)
Condenou o nestorianismo. Definiu que Maria é Theotokos (Mãe de Deus), pois Cristo é uma só pessoa divina com duas naturezas. Definiu a união hipostática.
Convocado pelo imperador Teodósio II; presidido por São Cirilo de Alexandria em nome do Papa São Celestino I. ~200 bispos.
4

Calcedônia

451 d.C. — Calcedônia (atual Turquia)
Condenou o monofisismo de Eutiques. Definiu que Cristo possui duas naturezas (divina e humana), sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação, em uma só pessoa.
Papa São Leão Magno (Tomo de Leão). ~600 bispos — o maior da antiguidade.
🏛️ Alta Idade Média (séc. VI–IX)
5

Constantinopla II

553 d.C. — Constantinopla
Condenou os «Três Capítulos» (escritos de tendência nestoriana). Reafirmou as definições de Éfeso e Calcedônia sobre a união das duas naturezas em Cristo.
Papa Vigílio; imperador Justiniano I. ~165 bispos.
6

Constantinopla III

680–681 d.C. — Constantinopla
Condenou o monotelismo. Definiu que Cristo possui duas vontades (divina e humana), correspondentes às duas naturezas, harmoniosas e sem conflito.
Papa São Ágato e Papa São Leão II. ~170 bispos.
7

Niceia II

787 d.C. — Niceia
Condenou a iconoclastia. Definiu a legitimidade da veneração (dulia) das imagens sagradas, distinguindo-a da adoração (latria) devida só a Deus.
Papa Adriano I; imperatriz Irene. ~350 bispos.
8

Constantinopla IV

869–870 d.C. — Constantinopla
Condenou o patriarca Fócio e o cisma por ele provocado. Reafirmou a autoridade papal sobre toda a Igreja. Último concílio reconhecido unanimemente antes do Cisma de 1054.
Papa Adriano II. ~102 bispos.
🏰 Idade Média (séc. XII–XVI)
9

Latrão I

1123 — Roma (Basílica de São João de Latrão)
Primeiro concílio no Ocidente. Tratou da Questão das Investiduras, confirmando a Concordata de Worms: os bispos são nomeados pela Igreja, não por reis.
Papa Calisto II. ~300 bispos.
10

Latrão II

1139 — Roma
Pôs fim ao cisma do antipapa Anacleto II. Reafirmou a disciplina do celibato clerical e condenou a simonia.
Papa Inocêncio II. ~500 bispos.
11

Latrão III

1179 — Roma
Estabeleceu que a eleição papal requer maioria de dois terços dos cardeais. Condenou os cátaros e os valdenses.
Papa Alexandre III. ~300 bispos.
12

Latrão IV

1215 — Roma
O maior e mais importante concílio medieval. Definiu a transubstanciação, obrigou confissão e comunhão anuais, reformou a disciplina eclesiástica.
Papa Inocêncio III. ~400 bispos + 800 abades e prelados.
13

Lyon I

1245 — Lyon (França)
Depôs o imperador Frederico II por perseguir a Igreja. Organizou a 7ª Cruzada e tratou da reforma eclesiástica.
Papa Inocêncio IV. ~150 bispos.
14

Lyon II

1274 — Lyon
Tentou a reunião com a Igreja Ortodoxa grega (efêmera). Regulou a eleição papal no conclave. São Boaventura morreu durante o concílio.
Papa Gregório X. ~500 bispos. São Tomás de Aquino faleceu no caminho para o concílio.
15

Vienne

1311–1312 — Vienne (França)
Suprimiu a Ordem dos Templários. Tratou de reformas da vida religiosa e condenou erros dos beguardos e beguinas.
Papa Clemente V. ~300 participantes.
16

Constança

1414–1418 — Constança (Alemanha)
Encerrou o Grande Cisma do Ocidente (três papas simultâneos). Elegeu Martinho V. Condenou as heresias de John Wyclif e Jan Hus.
Elegeu o Papa Martinho V. ~600 participantes.
17

Basileia-Ferrara-Florença

1431–1445 — Basileia → Ferrara → Florença
Decretou a union com os gregos (1439), armênios e coptas (efêmera). Definiu os sete sacramentos e o primado do Papa.
Papa Eugênio IV.
18

Latrão V

1512–1517 — Roma
Tentou reformas na véspera da Reforma Protestante. Definiu a imortalidade da alma individual. As reformas não foram suficientemente implementadas.
Papa Júlio II e Papa Leão X.
📜 Era Moderna (séc. XVI–XX)
19

Trento

1545–1563 — Trento (Itália)
O grande concílio da Contra-Reforma. Definiu o cânon da Escritura, a transubstanciação, os sete sacramentos, o pecado original, a justificação pela fé e obras. Reformou a formação dos padres (seminários).
Papas Paulo III, Júlio III e Pio IV. ~250 bispos.
20

Vaticano I

1869–1870 — Roma (Basílica de São Pedro)
Definiu a infalibilidade papal (ex cathedra) na constituição Pastor Aeternus. Definiu a relação entre fé e razão em Dei Filius. Interrompido pela guerra franco-prussiana.
Papa Pio IX. ~700 bispos.
21

Vaticano II

1962–1965 — Roma (Basílica de São Pedro)
O maior concílio da história. Promoveu a renovação litúrgica (Sacrosanctum Concilium), a eclesiologia do Povo de Deus (Lumen Gentium), o diálogo ecumênico (Unitatis Redintegratio), a liberdade religiosa (Dignitatis Humanae) e a relação com o mundo moderno (Gaudium et Spes).
Convocado por São João XXIII; concluído por São Paulo VI. ~2.500 bispos.

📚 Fontes