Os quatro dogmas de fé sobre a Bem-Aventurada Virgem Maria — verdades reveladas, definidas solenemente pela Igreja como infalíveis e obrigatórias para todos os fiéis.
"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada." — Lucas 1,48
Um dogma é uma verdade divinamente revelada, proposta pela Igreja como tal de forma definitiva e infalível. Os dogmas não são "inventados" — são verdades contidas na Revelação (Escritura e Tradição) que a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, define solenemente.
Os quatro dogmas marianos foram sendo compreendidos com maior profundidade ao longo dos séculos, até serem definidos formalmente. Todos estão radicados na Escritura e na Tradição desde os primeiros séculos.
Definição: Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos), pois concebeu e deu à luz Jesus Cristo, que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Concílio de Éfeso (431): Definido contra Nestório, que afirmava que Maria era apenas "mãe de Cristo" (Christotókos) e negava a união das duas naturezas. Os Padres conciliares declararam solenemente: Maria é Theotókos — Mãe de Deus.
Santo Inácio de Antioquia (†110): "Nosso Deus, Jesus Cristo, foi concebido por Maria."
Santo Atanásio (†373): "O Logos não entrou em um homem já existente, mas Ele próprio tornou-se homem no seio de Maria."
São Cirilo de Alexandria (†444): Principal defensor do título Theotókos no Concílio de Éfeso.
Definição: Maria foi virgem antes do parto (concepção virginal), durante o parto (parto milagroso) e depois do parto (permaneceu virgem por toda a vida).
Concílio de Latrão (649): Convocado pelo Papa Martinho I, definiu solenemente a virgindade perpétua de Maria nos três momentos. Já era doutrina universal da Igreja desde os primeiros séculos.
Nota: Os "irmãos de Jesus" mencionados nos Evangelhos são parentes próximos (primos/parentes), conforme o uso semítico da palavra adelphós.
São Jerônimo (†420): Escreveu Contra Helvídio, refutando detalhadamente a negação da virgindade perpétua.
Santo Agostinho (†430): "Virgem concebeu, virgem deu à luz, virgem permaneceu."
Até os Reformadores protestantes (Lutero, Calvino, Zwingli) mantiveram a crença na virgindade perpétua de Maria.
Definição: Maria, desde o primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente e em vista dos méritos de Jesus Cristo, foi preservada imune de toda mancha do pecado original.
Bula Ineffabilis Deus (1854): Definida pelo Papa Pio IX como dogma de fé. Foi uma definição ex cathedra, exercício solene do magistério infalível papal.
Confirmação: Em 1858, quatro anos após a definição, Nossa Senhora apareceu em Lourdes a Santa Bernadette e disse: "Eu sou a Imaculada Conceição."
Objeção: "Se Maria não teve pecado original, ela não precisava de Salvador."
Resposta: Maria foi redimida por Cristo — mas de modo preventivo (preservação), não curativo. Assim como é maior mérito impedir que alguém caia num fosso do que tirá-lo de lá depois, assim Cristo redimiu Maria de modo mais excelso: preservando-a de cair. Ela é a "primeiríssima redimida".
Definição: Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celeste.
Constituição Munificentissimus Deus (1950): Definida pelo Papa Pio XII como dogma de fé. A segunda e última definição dogmática ex cathedra. A Igreja não define se Maria morreu antes da Assunção — apenas que foi elevada "completado o curso da vida terrena".
Razão teológica: A corrupção do corpo é consequência do pecado. Maria, preservada do pecado (Imaculada Conceição), não poderia sofrer a corrupção. A Assunção é consequência lógica da Imaculada Conceição.
A festa da Dormição (Oriente) / Assunção (Ocidente) é celebrada universalmente desde o séc. VI. Nenhuma tradição, nenhum lugar na cristandade jamais reivindicou possuir os restos mortais de Maria — fato único entre os Apóstolos e Santos.
São João Damasceno (†749): "Convinha que aquela que guardou intacta a virgindade no parto tivesse também o corpo conservado incorrupto após a morte."
A Virgindade Perpétua é celebrada indiretamente em todas as festas marianas, onde Maria é invocada como "sempre Virgem" (semper Virgo).