Morte, Juízo, Inferno e Paraíso — as realidades últimas
A Escatologia Católica trata das «coisas últimas» (ta eschata). O Catecismo ensina: «A Igreja, na sua doutrina, na sua liturgia e na sua prática, exorta os fiéis a meditarem sobre os Novíssimos» (CCC 1007). Meditar sobre eles ajuda a viver com sabedoria, vigilância e esperança.
A morte é o fim da peregrinação terrena e o momento em que a alma se separa do corpo. Não é aniquilação, mas passagem para a vida eterna.
«Está determinado que os homens morram uma só vez, e depois disto o juízo.» (Hb 9, 27)
São José é patrono da boa morte, pois morreu nos braços de Jesus e Maria.
Existem dois juízos: o juízo particular (imediatamente após a morte) e o juízo final (no fim dos tempos).
Cada alma, no instante após a morte, comparece diante de Cristo e recebe a retribuição eterna: Céu (imediatamente ou após purificação no Purgatório) ou Inferno.
«Cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna desde o momento da morte, num juízo particular.» (CCC 1022)
Na segunda vinda de Cristo (Parusia), todos os mortos ressuscitarão. Cristo julgará todos os povos, revelando a verdade sobre cada vida e o sentido de toda a história.
«Quando o Filho do Homem vier na sua glória... separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.» (Mt 25, 31-32)
O Inferno é o estado de separação definitiva de Deus, escolhido livremente por quem morre em pecado mortal sem arrependimento. A pena principal é a privação eterna da visão de Deus (pena de dano).
«Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.» (Mt 25, 41)
O Purgatório não é um dos «quatro Novíssimos» clássicos, mas é uma doutrina essencial da fé. É o estado de purificação final dos que morrem na graça de Deus, mas ainda não estão perfeitamente purificados.
«Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo.» (1Cor 3, 15)
O Céu é a comunhão perfeita e eterna com Deus — a visão beatífica. É o fim último e a realização de todas as aspirações humanas. Nele experimentamos a plenitude de amor, felicidade e conhecimento.
«O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não imaginou, isso é o que Deus preparou para aqueles que O amam.» (1Cor 2, 9)
«Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. Não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem dor, porque as coisas anteriores já passaram.» (Ap 21, 4)
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, concedei-nos a graça de meditar frequentemente sobre as realidades últimas, para que, vivendo em vigilância e caridade, possamos alcançar a felicidade eterna que preparastes para os que Vos amam. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.