Conforme a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR)
A Santa Missa é o «centro de toda a vida cristã» (CCC 1343). Nela, Cristo torna presente o sacrifício da Cruz e nos alimenta com o seu Corpo e Sangue. O Concílio Vaticano II ensina que a Missa é simultaneamente «memorial da Morte e Ressurreição do Senhor» e «banquete sagrado da comunhão no Corpo e Sangue de Cristo» (Sacrosanctum Concilium, n. 47).
A Missa é composta de quatro partes principais: Ritos Iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística e Ritos Finais.
O sacerdote e os ministros dirigem-se ao altar em procissão, enquanto a assembleia entoa o canto de entrada. O canto de abertura tem a finalidade de «abrir a celebração, favorecer a união dos fiéis e introduzi-los no mistério do tempo litúrgico ou da festa» (IGMR 47).
O sacerdote saúda a assembleia com o Sinal da Cruz — «Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» — e uma das fórmulas litúrgicas: «A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco» (2Cor 13,13).
A assembleia reconhece seus pecados e implora o perdão de Deus. As formas mais comuns são o Confiteor («Confesso a Deus todo-poderoso...») e as invocações «Senhor, tende piedade de nós» (Kyrie eleison). Este ato não substitui o sacramento da Confissão para pecados graves.
Hino antiquíssimo da Igreja que louva a Santíssima Trindade. É cantado ou recitado aos domingos (fora da Quaresma e Advento), nas solenidades e festas. Começa com as palavras dos anjos na noite de Natal: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados» (Lc 2,14).
O sacerdote diz «Oremos» e, após breve silêncio, pronuncia a oração coleta — que «recolhe» as intenções de toda a assembleia e as apresenta a Deus. A assembleia responde «Amém», fazendo sua a oração do sacerdote.
Normalmente tirada do Antigo Testamento (no Tempo Pascal, dos Atos dos Apóstolos). Mostra como Deus preparou a vinda de Cristo ao longo da história da salvação. O leitor conclui: «Palavra do Senhor», e a assembleia responde: «Graças a Deus».
Após a primeira leitura, canta-se ou recita-se um salmo como resposta meditativa à Palavra de Deus proclamada. O Salmo Responsorial «favorece a meditação da Palavra de Deus» (IGMR 61). Os 150 Salmos são a oração por excelência de Israel e da Igreja.
Tirada das Cartas dos Apóstolos (Paulo, Pedro, Tiago, João) ou do Apocalipse. Presente apenas nos domingos e solenidades. Transmite o ensinamento apostólico à comunidade cristã.
A assembleia aclama de pé cantando «Aleluia!» (do hebraico «Louvai o Senhor»), acolhendo o próprio Cristo que vai falar no Evangelho. Na Quaresma, substitui-se por outra aclamação.
O ponto alto da Liturgia da Palavra. Proclamado pelo diácono ou sacerdote, o Evangelho contém as palavras e ações de Jesus Cristo. A assembleia ouve de pé, em sinal de reverência, e responde: «Glória a vós, Senhor!» antes, e «Louvor a vós, ó Cristo!» depois.
O sacerdote ou diácono explica as leituras proclamadas e as aplica à vida da comunidade. A homilia é obrigatória nos domingos e dias de preceito e «faz parte da própria liturgia» (IGMR 65). Não é um discurso qualquer, mas a Palavra de Deus atualizada para hoje.
Nos domingos e solenidades, toda a assembleia professa a fé recitando o Credo (Símbolo dos Apóstolos ou Credo Niceno). É a resposta da assembleia à Palavra de Deus: «antes de celebrar o mistério da fé na Eucaristia, os fiéis recordam e professam essa mesma fé» (IGMR 67).
A assembleia exerce o sacerdócio batismal intercedendo pelas necessidades da Igreja, dos governantes, dos que sofrem e da comunidade local. É a resposta orante da assembleia à Palavra escutada.
Trazem-se ao altar o pão e o vinho — que se tornarão o Corpo e Sangue de Cristo. O sacerdote apresenta as oferendas a Deus: «Bendito sejais, Senhor Deus do universo, pelo pão que recebemos da vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano.» Os fiéis podem oferecer também donativos para os pobres e para a Igreja.
O sacerdote convida: «Orai, irmãos e irmãs, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.» A assembleia responde e o sacerdote pronuncia a oração sobre as oferendas, selando a preparação dos dons.
O coração e centro de toda a Missa. Inclui:
Prefácio e Santo: O sacerdote dá graças a Deus e toda a assembleia canta: «Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo!» (cf. Is 6,3; Ap 4,8).
Epiclese: Invocação ao Espírito Santo para que transforme o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo.
Narrativa da Instituição e Consagração: O sacerdote pronuncia as palavras de Jesus na Última Ceia: «Isto é o meu Corpo... Isto é o cálice do meu Sangue» (cf. Lc 22,19-20; 1Cor 11,23-25). Neste momento, pela ação do Espírito Santo, opera-se a transubstanciação: a substância do pão e do vinho se converte na substância do Corpo e Sangue de Cristo (CCC 1376).
Anamnese: Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
Intercessões: A Igreja reza pelo Papa, pelo Bispo, pelos vivos e pelos mortos.
Doxologia final: «Por Cristo, com Cristo, em Cristo... toda a honra e toda a glória.» A assembleia responde com o grande «Amém».
Pai-Nosso: Toda a assembleia reza a oração que o próprio Jesus ensinou (Mt 6,9-13).
Rito da Paz: Os fiéis expressam comunhão e caridade mútua: «A paz do Senhor esteja sempre convosco.»
Fração do Pão: O sacerdote parte a hóstia consagrada, gesto que remonta à Última Ceia e a Emaús (Lc 24,30-31). Durante este rito, canta-se o Agnus Dei: «Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.»
Comunhão: Os fiéis recebem o Corpo (e, quando previsto, o Sangue) de Cristo. «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna» (Jo 6,54). Deve-se estar em estado de graça para comungar; quem tem consciência de pecado grave deve antes confessar-se (CCC 1385, cf. 1Cor 11,27-29).
Após um tempo de silêncio e ação de graças, o sacerdote pronuncia a oração final da Liturgia Eucarística, pedindo os frutos do sacramento recebido.
Eventuais comunicações à comunidade, se necessário.
O sacerdote abençoa a assembleia em nome da Santíssima Trindade: «Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.» Em solenidades, pode-se usar uma bênção solene ou oração sobre o povo.
O diácono ou sacerdote despede a assembleia: «Ide em paz e o Senhor vos acompanhe.» A palavra «Missa» vem do latim missio (envio): somos enviados para viver no mundo aquilo que celebramos na Eucaristia. A Missa não termina na igreja — ela nos envia em missão.