Em 1917, Nossa Senhora apareceu seis vezes a três pastorzinhos em Fátima, Portugal, revelando mensagens para o mundo inteiro e três segredos proféticos.
"Meu Imaculado Coração triunfará." — Nossa Senhora de Fátima, 13/07/1917
Nossa Senhora apareceu seis vezes — todo dia 13 de maio a outubro de 1917 — a três crianças pastoras na Cova da Iria, em Fátima, Portugal:
A Nossa Senhora se apresentou como "Nossa Senhora do Rosário" e pediu oração, penitência e conversão para que as guerras chegassem ao fim.
Revelado em 13 de julho de 1917. Texto das Memórias da Irmã Lúcia (1941):
"As Nossas palavras abrindo as mãos, comunicou-nos pela segunda vez o reflexo daquela luz interior. Nela penetramos e vimo-nos como que imersos em Deus. Jacinta e Francisco pareciam estar na parte desta luz que subia para o Céu, e eu na parte que se derramava sobre a terra. Diante da palma da mão Direita de Nossa Senhora havia um grande lume que parecia um mar de fogo; e mergulhados neste fogo os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana que flutuavam no incêndio arrastados pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados semelhante ao cair das faíscas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como brasas negras."
Reflexão: Nossa Senhora mostrou o inferno aos três pastorinhos. Jacinta ficou tão impressionada que passou o resto de sua curta vida fazendo sacrifícios para salvar almas. O inferno não é uma metáfora — é uma realidade que a misericórdia de Deus permite que conheçamos para que nos convertamos.
Revelado conjuntamente com o Primeiro Segredo. Contém três elementos:
1. Fim da I Guerra Mundial e predição da II:
"Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar; mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo por seus crimes, por meio da guerra, da fome e das perseguições à Igreja e ao Santo Padre."
Nota: Em 25 de janeiro de 1938, uma aurora boreal extraordinária iluminou toda a Europa Ocidental, vista até no Norte de África. A Irmã Lúcia reconheceu o sinal. Dois meses depois, Hitler invadiu a Áustria, iniciando a sequência que levou à II Guerra Mundial.
2. Consagração da Rússia:
"Para a impedir [segunda guerra] virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se meus pedidos forem atendidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, ela espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja..."
O Papa São João Paulo II realizou a consagração do mundo (com menção especial à Rússia) em 25 de março de 1984, em união com todos os bispos do mundo. Seis anos depois, caiu o Muro de Berlim (1989) e a URSS se dissolveu (1991). A Irmã Lúcia confirmou que a consagração foi aceita por Nossa Senhora.
3. Promessa do Triunfo:
"Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre me consagrará a Rússia que se converterá, e será concedida ao mundo algum tempo de paz."
Escrito em 1944 e guardado sob segredo. Transmitido ao Papa Pio XII em 1957 (sem ser aberto), aberto pelo Papa João XXIII em 1960 (que decidiu não divulgar na época). Revelado publicamente pelo Papa João Paulo II em 13 de maio de 2000, quando beatificou Francisco e Jacinta:
"Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; a cintilar, ela emitia chamas que pareciam dever incendiar o mundo; mas apagavam-se pelo contacto com o esplendor que Nossa Senhora irradiava da mão direita para ele: o Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E víamos numa luz imensa que é Deus: 'algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante' um Bispo vestido de Branco 'tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre'. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma montanha íngreme, no cimo da qual havia uma grande Cruz de troncos toscos como se fosse de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas e a meias tremendo, com passo trêmulo, amargurado de dor e pena, dirigia muitas orações e súplicas às almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado em joelhos ao pé da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros de arma de fogo e setas; e da mesma maneira morreram uns atrás dos outros os outros Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares de diversas classes e posições. Debaixo dos dois braços da Cruz havia dois Anjos cada um com um regador de cristal na mão em que recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus."
O Cardeal Ratzinger (futuro Bento XVI) publicou o comentário oficial da Santa Sé em 2000:
"Bispo vestido de Branco que é morto": A visão se referia ao atentado contra João Paulo II em 13 de maio de 1981 (exatamente o dia da festa de Nossa Senhora de Fátima). Uma bala que deveria ter sido fatal desviou de modo inexplicável. O próprio João Paulo II atribuiu sua sobrevivência à intercessão de Nossa Senhora.
João Paulo II disse: "Uma mão atirou e outra guiou a bala." A bala que o feriu foi colocada na coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima, onde está até hoje.
Interpretação ampla: A visão também representa o sofrimento da Igreja no século XX — perseguições, martírios, guerra. O sangue dos mártires que "rega as almas": o testemunho dos que morreram pela fé gera novos cristãos.
Às 12h13, diante de aproximadamente 70.000 pessoas — crentes e descrentes, jornalistas, funcionários públicos — um fenômeno solar extraordinário aconteceu na Cova da Iria em Fátima.
O sol "dançou" no céu durante 10 minutos: girou sobre si mesmo, emitiu raios de diversas cores (amarelo, vermelho, azul, verde), e mergulhou em direção à terra, fazendo com que as pessoas, aterradas, pensassem que ia destruir tudo. Então voltou ao lugar de origem.
O fenômeno foi visto em uma área de 40 km de diâmetro ao redor de Fátima. Jornalistas do Diário de Notícias e O Século (de tendência anticlercal) testemunharam e publicaram descrições detalhadas no dia seguinte.
O astrônomo e matemático Dr. José Maria de Almeida Garrett, professor da Universidade de Coimbra, estava presente e publicou um relato científico extenso, declarando que o fenômeno "contrariou completamente todas as leis cósmicas".
Naquele mesmo momento, em diferentes localidades de Portugal distantes de Fátima, pessoas também relataram ver o sol "dançar".
A mensagem de Fátima tem cinco elementos principais:
A oração do Anão ensinada na Aparição de 1916 (o Anjo da Paz apareceu antes de Nossa Senhora): "Ó meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos! Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam."
A Jaculatória de Fátima, rezada entre os mistérios do Rosário: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai ao Céu todas as almas, especialmente as mais necessitadas de Vossa Misericórdia."