As diversas formas de falar com Deus na tradição católica
O Catecismo ensina que «a oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes» (CCC 2559, cf. S. João Damasceno). A Igreja reconhece múltiplas formas de oração que se complementam e enriquecem a vida espiritual.
É a oração pronunciada em voz alta ou em silêncio com fórmulas. O corpo participa da oração: lábios, mãos erguidas, genuflexão. Exemplos: Pai Nosso, Ave Maria, Salmos.
«Quer a oração seja vocal, quer seja interior, é necessário que se faça com todo o coração.» (CCC 2700)
Reflexão ativa sobre a Palavra de Deus, os mistérios de Cristo, a criação, etc. Envolve pensamento, imaginação, emoção e desejo para aprofundar a fé e alcançar a conversão.
«Meditar é, sobretudo, uma busca. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e responder ao que o Senhor pede.» (CCC 2705)
A forma mais elevada de oração. É um olhar de fé sobre Jesus, uma escuta silenciosa, uma adesão amorosa. Não depende de raciocínio mas de graça e entrega.
«A contemplação é olhar de fé fixado em Jesus. "Eu O olho e Ele me olha", dizia o camponês de Ars diante do Santíssimo Sacramento.» (CCC 2715)
Responder às bênçãos de Deus com louvor e gratidão. A adoração é a primeira atitude do ser humano que se reconhece criatura diante do Criador.
Reconhecer Deus como Deus, glorificá-lo pelo que Ele É, mais ainda do que pelo que Ele faz. O louvor é a forma mais pura e desinteressada de oração.
Pedir a Deus o que necessitamos. A primeira petição deve ser o perdão dos pecados. Inclui pedidos por nós mesmos, pelos outros e pelas necessidades do mundo.
Pedir em favor dos outros, à semelhança de Abraão (Gn 18, 16-33) e de Cristo que intercede continuamente por nós (Hb 7, 25). Toda a Comunhão dos Santos intercede mutuamente.
A Eucaristia (do grego eucharistia = ação de graças) é a ação de graças por excelência. Todo acontecimento pode se tornar motivo de agradecimento.
Oração oficial da Igreja que santifica o dia inteiro: Ofício das Leituras, Laudes (manhã), Hora Média (Terça, Sexta, Nona), Vésperas (tarde) e Completas (noite). Baseia-se nos Salmos e leituras bíblicas.
Oração silenciosa diante do Santíssimo Sacramento exposto ou reservado no sacrário. Inclui visitas ao Santíssimo, Horas Santas e adoração perpétua.
Expressões de piedade popular que prolongam a liturgia: Rosário, Via Sacra, novenas, tríduos, peregrinações, procissões, bênçãos. Devem estar em harmonia com a liturgia.
Revisão diária (ou periódica) da vida à luz do Evangelho. Santo Inácio de Loyola propõe o «examen» em cinco passos: agradecer, pedir luz, rever o dia, arrepender-se, propor-se a melhorar.
Conversa livre e pessoal com Deus, sem fórmulas fixas. É uma forma legítima de oração incentivada pela Igreja, onde o coração fala diretamente ao Pai.
A oração encontra dificuldades: distração, aridez, acédia (preguiça espiritual), tentação ao desânimo. O Catecismo ensina que a perseverança é a grande virtude da oração.
«Quem reza, certamente se salva; quem não reza, certamente se condena.» — Santo Afonso de Ligório